O Ponto de Mutação
Maria Aparecida Cajueiro
Orientadora Educacional - Turma de 63 – GEVOA

O Ponto de Mutação
Maria Aparecida Cajueiro

Oi pessoal!

Sei que não se lembram de mim, pois me desliguei totalmente da turma quando concluí o Ginásio. Isto se deu em 67, pois repeti a 2ª série em função de complicações pós-operatórias que me fizeram ficar afastada da escola por um grande período. Imaginem quantas aulas perdi! Por isso mesmo sei que não têm como se lembrar.

Entretanto, o Fórum das reflexões que se colocam me fez sentir um forte desejo de também opinar, uma vez que como cidadã e ex-aluna do Vocacional, fato que nos identifica filosoficamente, tenho compromisso em relação às situações e ao mundo em que vivo.
Além disso, também me fez relembrar a leitura do livro: O Ponto de Mutação de Fritjof Capra, o primeiro indicado quando ingressei no mestrado. Foi uma leitura tão importante que ela vem se repetindo ao longo de diversos outros cursos que realizei, pois sua temática é recorrente: a análise reflexiva e a ruptura com os paradigmas cartesianos na perspectiva de uma postura holística frente aos desafios da contemporaneidade.
Fico muito feliz por verificar que temos um posicionamento filosófico semelhante acerca do que seja liderança. Atualmente sou Orientadora Pedagógica da Secretaria da Educação do Município de Sorocaba, mas já exerci o mesmo cargo na Fundação Bradesco/ Matriz.
Nele, a liderança se faz no contato direto e permanente com educadores, incluindo neste universo todos os que atuam na escola, educandos e familiares, possibilitando articular os conteúdos trabalhados, com uma proposta pedagógica que desenvolva e evidencie uma escola cidadã, que se propõe formar um cidadão pleno, capaz de vivenciar sua cidadania na perspectiva de transformar o que está posto hoje. Percebam que é um objetivo bastante pretensioso, mas tenho trabalhado na direção de seu sucesso. É importante querer tudo para alcançar ao menos parte do pretendido.

É assustador verificar em que nível de desumanização chegamos, como nos sentimos impotentes diante da realidade e, pior, como estamos anestesiados diante dos fatos gravíssimos que presenciamos. Como podemos nos articular para revitalizar sentimentos e mobilizar ações capazes de resgatar um processo educacional comprometido com a melhoria do ser humano e que preserve valores, não na perspectiva de um saudosismo alienante, mas no de rever o que está provocando tantas distorções?

Por vezes me sinto um pouco deslocada por não aceitar e não me deixar levar pelas exigências de uma sociedade consumista que vem sendo legitimada, mas que traz consigo tantos problemas! Não se trata de ter um posicionamento maniqueísta, mas gostaria de vivenciar um processo educacional capaz de desenvolver nos educandos posturas mais éticas e pautadas no respeito ao outro.

Que bom! Vejo que não me deixei contaminar, pois não se apagou em mim a esperança de que outros, como eu, também se preocupem com a educação em nosso país.
Em Sorocaba há diversos Programas em curso, com o objetivo de desenvolver nas crianças o espírito empreendedor, solidário e humanista, mas que resguarde a boa qualidade do ensino oferecido, de modo a assegurar-lhes inserir-se na vida adulta melhor preparados. Esperamos estar no caminho certo, apesar da resistência de alguns professores em aceitar que os alunos devem ser sujeitos no processo, única forma de torná-los comprometidos com sua formação escolar e com o que fará com a educação que está recebendo.

Fiquei muito feliz em saber um pouco mais da colega Daphne Ratner que, se não estou enganada, residia em Santo Amaro como eu, pois meu pai tinha um açougue naquela região e eu fui à casa dela uma vez.
Abraços fraternos e saudosos à todos,

Maria Aparecida

texto recebido em 25 de abril 2008

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