Uma Educação Sentimental
Maria Lucia Capella Botana
Turma de 62 – GEVOA

Uma Educação Sentimental
Maria Lucia Capella Botana

 

Luiz, Antonio Carlos, Gilberto
Para quem não se lembra de mim, dou a dica: sou mais conhecida como a irmã da Sonia Capella, ( a artilheira, aquela dos gols fantásticos, de Handball), a Maria Lúcia.
- Isso que dá ter gente famosa na família, não é Gilberto?.
Eu era líder (por sociograma, lembra? Da única equipe totalmente feminina do Vocacional
(um grande equívoco que a Glorinha tentou mostrar pra gente, mas que relutamos e mantivemos durante quatro anos… a gente conheceu e entendeu Neruda muito depois, Gilberto)
A equipe: eu, Maria Cecília, Maria Alice, Sandra, Djamira, Nancy….também tivemos um tempo de Glória , com a presença da Glória Omori.
Lembro do Antonio Carlos perfeitamente
Aliás, me identificava com a sua (aparente) timidez e com o seu jeito de bom menino.( era mesmo?)
O mesmo para o Luiz Américo ( apesar de ter certeza que você “descolou” fotos da Poliana, o que não o torna tão “bonzinho” assim…. )
Apesar de ter me relacionado muito pouco com vocês na escola, (vide declaração acima), achei incrível como vocês lembraram de fatos, descrevendo-os exatamente como os tenho guardado na minha memória. Acho que a experiência foi tão forte, numa época tão importante das nossas vidas, que deixou marcas indeléveis em cada um de nós.
Da viagem ao Rio de Janeiro lembro-me não só da comida do Calabouço, que me fez sentir saudades do refeitório do GV, como também de vocês, meninos, na janela da “Pousada” vendo “encantados” as prostitutas na calçada, quando uma professora perguntou o que estavam vendo e alguém respondeu “Cachorro de raça, professora”. (Acho que foi o Novaes) E foi um riso só. Jamais esqueci essa frase, e a utilizo sempre que desejo colocar um “non sense” como resposta a perguntas que não quero responder.
Também lembro da dona Dalka, a professora de português que a guia da nossa turma no Rio, que para ter certeza que o ônibus que íamos pegar passava na Lapa, foi a primeira a subir para perguntar ao motorista, quando ônibus zarpou levando-a e nos deixando no ponto. Inesquecível a cena: “Meus, alunos, me deixem descer, meus alunos..”, gritava a Dalka com uma das pernas para fora do ônibus que só foi parar na outra esquina, para o nosso cruel deleite. O incidente virou fato no relatório da viagem ( lembram que fazíamos relatório?) e foi encenado pelo jogral das wowousis ( como nós no auto denominávamos) , justamente na aula… de português… ( muito cruel, não acham?)
Do professor Edson, lembro que o chamávamos de “Professor Moléculas”, porque sempre que falava delas, levantava as duas mãos e mexia todos os dedos desordenadamente, levando-nos a abafar o riso.( é claro que o imitávamos pelas costas)
Das aulas de educação física, ainda as associo a colchonetes verdes e dedos das mãos inchados, enfaixados com esparadrapo e palito de sorvete Kibon..
Das festas juninas, não esqueço um cenário maravilhoso, cenográfico mesmo, de São Paulo antigo, pintado nas aulas de Artes Plásticas ( com enorme ajuda dos professores de Artes Plásticas)
Foram tantas emoções e graças a Deus estamos podendo revivê-las através de relatos como esses.
Foi, realmente uma escola da vida, como o AC chamou.
Tenho orgulho de ter compartilhado tudo isso com essa turma que acredita na educação como ferramenta de transformação.
Aliás., Gilberto, obrigada pelo Neruda… lindo demais.

Um grande beijo a todos

Maria Lucia Capella Botana
Texto de 16/09/2004

Saint-Exupéry
Cada um que passa em nossa vida,
passa só, pois cada pessoa é única,
e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só,
nem nos deixa só.
Leva um pouco de nós,
deixa um pouco de si.
Há os que levaram muito,
mas, não há os que não deixaram nada.
Esta é a maior responsabilidade
de nossa vida e a prova de que duas almas
não se encontram por acaso…
(Antoine Saint-Exupéry)

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