Floresta em Minas Gerais
Nina Michaelis
Queridos amigos

Estou de longe acompanhando com emoção as conversas todas. Fico feliz com estarmos buscando novas opções e queria colocar rapidamente a minha experiência.
Morei no Rio de Janeiro até o ponto em que minhas filhas precisaram de ginásio e eu atormentada com tudo o que encontrava pela frente, me retirei da cidade e fui morar no interior de uma floresta em Minas Gerais, onde junto com outras pessoas que buscavam novas alternativas, montamos uma escola debaixo de árvores e em barracas onde cada pai e mãe dava aula daquilo que sabia. Montamos uma grade horária, um sistema de avaliação onde separávamos notas objetivas da auto avaliação e notas por empenho/ desempenho, claro influência minha sempre transportando o Espírito do Vocacional. Como na época nossa escola era completamente alternativa e informal nossas crianças eram levadas ä Caxambu, cidade mais próxima, onde prestavam provas de supletivo. Isso tudo até o ponto em que a prefeitura de Aiuruoca, a cidade da qual fazemos parte, nos abraçou e recebemos um prédio para dar aulas, vários de nós foram contratados e durante vários anos aceitou este sistema de ensino e este sistema de notas.
Hoje minhas filhas já formadas, uma delas em letras pela UERJ, outra cursou veterinária na UFF, moram na Espanha e se saíram muito bem, são um pouco como nós fomos, oriundos de um sistema de ensino preocupado com o espírito dos alunos. Muitas águas rolaram aqui também, a escola da prefeitura ficou pequena para tantos sonhos e neste ano, num novo esforço de reorganização coletiva, estamos finalmente construindo a nossa própria escola e rediscutindo todo o nosso sistema de ensino. E claro, agora tem até gente discordando de se dar ao aluno oportunidade de se auto-avaliar ou achando que notas objetivas é que são o bom da história, que é um absurdo que o empenho de um aluno possa valer tanto quanto o desempenho.
Eu sou uma das poucas do Vocacional que não terminei faculdade, minha experiência de vida é esta, fui professora durante 10 anos sem diploma algum, só com meu entusiasmo e no fim a prefeitura optou por professores formados mas aí já tinha ajudado a preparar a geração dos meus filhos e me liberei. Mas agora vendo a nova escola surgir, cheia de sonhos e oportunidades, quero defender o sistema de notas (porque o resto, trabalho de equipe, estudos do meio, etc não precisa ser defendido, já é senso comum) e preciso de embasamento nosso. Portanto gostaria de saber se o Vocacional possui algum projeto pedagógico documentado, onde posso encontrar material para trazer para os pedagogos desta nova escola, ou se existe alguém nesta área interessado em conhecer e ajudar neste trabalho?
Na verdade o nome Vocacional nunca é nem citado, faz parte da minha historia e é citado nos meus depoimentos. Consegui trazer um pouco do espírito para cá, este sim. Agora precisei trazer esta minha experiência para vocês, acompanho as discussões e não sei como ajudar na questão do Vocacional como um todo, mas sei que o espírito está distribuído dentro de cada um de nós. E que cada um é um pontinho desta luz.
Um forte abraço

Nina Michaelis
texto enviado em 2008

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