Ainda Sonhamos…
Paulo Ricardo Simon
Engenheiro e Professor – Turma de 66 – GEVOA

Ainda sonhamos…
Paulo Ricardo Simon

Meus avós paternos eram judeus alemães que, antevendo problemas com a guerra iminente, saíram da cidade de Essen e vieram para o Brasil em 1935. Meu pai, o caçula de três filhos, formou-se Eletrotécnico na primeira turma da Escola Técnica Getúlio Vargas, e não teve oportunidade de cursar uma universidade.
Meus avós maternos, também judeus, vieram de Viena (Áustria) para o Brasil em 1925. Minha mãe, filha única nascida em São Paulo, concluiu o curso de Secretariado no Mackenzie e também não fez curso superior.

Logo que nasci fomos morar no Itaim Bibi, então um bairro popular, onde minha irmã (dois anos mais velha) e eu fomos criados, cercados por vizinhos cristãos brasileiros. Freqüentamos a pré-escola no Jardim de Infância do Esporte Clube Pinheiros e, depois, o curso primário na Escola Americana do Instituto Mackenzie, entidade da Igreja Presbiteriana. Ao final de 1962 minha irmã concluiu o 4° ano primário, o que lhe garantia o ingresso automático no curso ginasial da mesma instituição. Ela e meus pais, porém, com base em indicações de amigos e conhecidos, optaram por uma mudança para o Ginásio Vocacional do Liceu Eduardo Prado (LEP), escola particular próxima à nossa casa. O que mais os estimulou à mudança foi, sem dúvida, a inovadora proposta pedagógica e, até aquele momento, o GEVOA nos era desconhecido. O Diretor desse Ginásio Vocacional (Prof.Aldo Perracini) foi demitido do LEP ao final de 1964, o que o fez criar sua própria escola no bairro do Pacaembu – o Colégio Vocacional Luis Antonio Machado – e levar consigo boa parte dos alunos, minha irmã entre eles.
A experiência de minha irmã, nessa escola, foi marcante para todos nós: enquanto nossos amigos e vizinhos freqüentavam escolas tradicionais (o ginásio tradicional do próprio LEP, Elvira Brandão, Costa Manso, Dante Alighieri), ela voltava da escola, a cada dia, com uma novidade. Estudo-do-meio, aulas de marcenaria (cada aluno tinha sua própria caixa de ferramentas), trabalhos em equipe, maquetes, aulas de culinária, passaram a fazer parte da nossa vida e a provocar estranhamento e surpresa naqueles que não vivenciavam a experiência como nossa família.

Ao final de 1964 terminei meu 4° ano primário e poderia, como mencionei, passar direto para o 1° ginasial no próprio Mackenzie. Mas a direção da escola achava que, se eu fosse para outra (e essa já era nossa opção), deveria fazer o “admissão” pois não havia atingido a prontidão ideal.
Por volta dessa época já conhecíamos o GEVOA através de amigos cujos filhos lá estudavam e, Paralelo ao 5° ano no Mackenzie, fiz minha preparação para a admissão ao ginásio. Prestei exames para o GEVOA e para o Colégio Estadual Ministro Costa Manso (só para garantir uma vaga em escola estadual – ainda que tradicional –, caso não conseguisse entrar no Vocacional). Não achei difíceis os exames mas, ainda assim, foram grandes a apreensão e expectativa pelos resultados. Por ter sido aprovado em ambos, estudar em escola tradicional passou a ser algo absolutamente fora de cogitação: a experiência vivida pela minha irmã no Luis Antonio Machado me permitiu “provar o doce” e, claro, não quis mais outra coisa. E o GEVOA oferecia ainda mais: melhores instalações, maior proximidade geográfica e, sem dúvida, a gratuidade.

Meu avô era exímio restaurador e consertador de coisas, e muito hábil no uso de ferramentas e materiais, e transmitiu essas características para meu pai. Sempre muito curioso de saber como as coisas funcionavam ou eram construídas, desde pequeno eu os observava em suas atividades, e prestava muita atenção, e perguntava muito, e pedia para ajudar. Eles sempre foram muito pacientes e atenciosos, e foi nessa base que aprendi caligrafia técnica, desenho técnico, eletricidade básica, marcenaria e muito mais, a partir dos 7 anos de idade.
Ao ser aprovado no exame de admissão ao GEVOA fiquei encantado, entre outras coisas, com a possibilidade de desenvolver essas atividades na escola, como parte da grade curricular. Eu já sabia que seria assim, mas é como um passeio de montanha-russa: não se pode apenas imaginar a sensação da queda livre, do ‘looping’, do estômago subindo até a boca. É preciso fazer esse passeio ao menos uma vez para senti-lo, de fato. E para perceber que aquelas sensações que apenas imaginamos, quando estamos “aqui em baixo”, não chegam nem perto das sensações reais de quando estamos “lá em cima”. Em outras palavras: não dá para saber o real gosto de uma manga sem saboreá-la de fato!

O ambiente escolar que eu conhecia até então era o do Mackenzie: prédios de 90 anos de idade, com fachadas de tijolos vermelhos, pé-direito altíssimo, carteiras fixas de madeira escura, uma sobriedade que se estendia para as professoras (sim, nenhum professor) e funcionários e seu modo de vestir; pátios de recreio separados para meninos e meninas e fiscalizados por bedéis; uma disciplina relativamente rígida, enfim, uma instituição presbiteriana com tradição secular.
Passei a freqüentar um ambiente com arquitetura moderna, paredes claras, largas janelas, boa iluminação e ventilação, professoras e professores jovens (a grande maioria), um clima de cordialidade e companheirismo entre todos. E isso era só o começo… As “surpresas” que se sucederiam a partir daí, só viriam a enfatizar as diferenças ainda mais. Quero comentar alguns pontos que, além de evidenciá-las, muito contribuíram para a consolidação de minha personalidade e minhas formas de pensar e agir. Mas não se pode tomá-los de forma isolada: todos eram parte de um mesmo e grande contexto.

Logo de início, o uniforme, que nos tornava – como o próprio nome diz – iguais, independente de posição social e econômica, origem, credo ou cor, embora fosse marcante a preocupação da Escola em oferecer um ensino que respeitasse as diferenças individuais. Além da roupa básica, os aventais para as aulas práticas. E, claro, calção, camiseta e tênis para Educação Física. Aliás, o tênis era SÓ para Educação Física, pois se usava sapatos pretos com o uniforme básico. Em 1967, no meu segundo ano, participei de um movimento que reivindicava uma mudança: nós, rapazes, detestávamos as meias brancas e queríamos trocá-las por pretas. Conseguimos. Ainda que pareça pouca coisa, foi extremamente importante, pois descobrimos nossa capacidade de mobilização e a disponibilidade da Direção da escola em alterar uma regra estabelecida, a partir de nossa argumentação. O que só vinha a provar que, apesar de nossos 11 ou 12 anos, éramos considerados Pessoas!
Depois, as salas-ambientes, designadas para cada Área, e não para cada classe. Com isso, a cada nova aula a classe mudava de sala. E não havia lugares fixos para cada aluno, que se sentava no lugar que bem quisesse, em geral junto com sua equipe.

As aulas: Era muito fácil e gostoso de aprender. Quase lúdico. As aulas eram dinâmicas, participativas, elucidativas, muito diferentes das aulas expositivas que meus amigos de outras escolas assistiam. E não nos limitávamos aos livros didáticos convencionais, apenas. A partir de problemas levantados em assembléias, trabalhávamos com diversas fontes: visitávamos bibliotecas, consultávamos dicionários e enciclopédias, fazíamos pesquisas bibliográficas, íamos aos locais dos fatos estudados, entrevistávamos pessoas, líamos muitos jornais e revistas. Com isso aprendemos a estudar, em vez de decorar; a desenvolver idéias e colocá-las no papel (em vez de simplesmente copiar trechos de livros); a utilizar o Método Científico de Trabalho, que consistia em planejar o trabalho a ser feito, realizar o trabalho e tirar conclusões a partir dos resultados obtidos. E esse método deveria ser aplicado sempre, fosse uma simples pesquisa bibliográfica ou todo um estudo-do-meio. Aprendemos o prazer de ler e, muito além dos autores brasileiros tradicionais (pelos quais também passamos), líamos e discutíamos Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), George Orwell (1984, A revolução dos bichos) e outros. E a integração entre as Áreas fazia com que o assunto abordado por uma fosse desenvolvido pelas outras, o que dava unidade à compreensão e à aprendizagem. Resumindo: nós aprendíamos a PENSAR! E muito contribuiu para isso o trabalho em grupo. As equipes eram fixas para todos os trabalhos de todas as Áreas, com os membros se revezando periodicamente entre os cargos de Coordenador, Redator e Relator.

As avaliações: a utilização de conceitos literais, em vez de notas numéricas, foi uma quebra de paradigma. E a auto-avaliação que cada aluno fazia com o professor, antes da definição final dos conceitos bimestrais, eliminava a impessoalidade da atribuição fria de notas nas escolas tradicionais.
Os professores: tínhamos com eles um relacionamento quase que de amizade, com um diálogo franco e aberto. Havia um respeito recíproco pelas pessoas que éramos, nós na posição de alunos e eles na de professores, e uma consciência de que estávamos lá em função um do outro, fazendo parte de um mesmo processo.

A organização e limpeza das salas: ao final de cada aula, mesmo havendo funcionários contratados para a limpeza, tínhamos a obrigação de deixar a sala em ordem para a próxima classe a usá-la, como a havíamos encontrado ao entrar, dispondo o material descartado nos cestos de lixo, apagando a lousa, reorganizando mesas e cadeiras e varrendo o chão. Ao final do semestre (ou do ano?) mutirões eram organizados para a recuperação e conserto de mesas e cadeiras – lixar, pregar, colar, pintar, envernizar – para os alunos do próximo período.
Os armários para a guarda de material: me senti importante ao receber um para meu uso. De certa forma isso indicava que eu era alguém, e não apenas mais um aluno. Era compartilhado com um colega, o que servia para o exercício de convivência, de co-responsabilidade, de confiança mútua. E era ótimo não ter de carregar tudo da escola para casa e vice versa.

O refeitório: como ficávamos na escola no período vespertino, para as aulas práticas e realização dos trabalhos de estudo dirigido, era lá que almoçávamos. Comida de boa qualidade (adorava o feijão e o ovo frito, cuja gema tinha uma coloração sempre alaranjada), cardápio balanceado (muito antes dessa idéia virar moda) e a disciplina: fila para se servir, limpeza das mesas após a refeição e entrega das bandejas no balcão de lavagem.
A circulação nos corredores: era intensa, pela troca de salas ao final de cada aula. Por isso, todos deviam andar pela direita, como no trânsito das ruas, de modo a evitar congestionamentos e aglomerações. Até hoje, ao andar pela cidade ou em corredores de edifícios e shopping centers, costumo andar pela direita, dando “trombadas” com gente que, evidentemente, não estudou no GV.

É interessante notar que havia muitas regras a serem seguidas, em cada uma das atividades diárias. Mas elas não nos eram, simplesmente, impostas, mas apresentadas e justificadas – podíamos, até, contestá-las e propor alternativas – e, por isso, nossa disciplina era baseada em relações respeito mútuo, e não de medo das penalidades. Em verdade, os alunos tinham a oportunidade de participar da elaboração dos códigos de condutas e contavam, além disso, com um Governo Estudantil, no qual as práticas legislativas, executivas e judiciárias eram levadas muito a sério.

As aulas práticas: as oficinas de Artes Industriais (AI), os ateliês de Artes Plásticas (AP), a casa de Economia Doméstica (ED), as salas de Práticas Comerciais (PC), os laboratórios de Ciências e a sala de Educação Musical (EM) eram ambientes muito bem equipados e supridos. Para as aulas de Teatro não havia um espaço apropriado, mas elas eram ótimas. Minha preferência eram as aulas de AI, nas quais podia praticar habilidades já aprendidas em casa. Não tinha muito gosto pelas aulas de datilografia de PC, mas confesso que ainda me ressinto por não ter me dedicado mais aos exercícios de “a-s-d-f-g” e “ç-l-k-j-h”. Costurar bainhas de panos-de-prato, pregar botões e varrer o chão também não me agradavam muito nas aulas de ED (será que essas tarefas agradam alguém?), mas adorava as aulas de culinária, comilão que sou. Não gostava muito das aulas de flauta (por não me entender muito bem com ela), mas adorava as de canto e fazia parte do coral da escola. Ainda tenho um disco que foi gravado por esse grupo, regido pela professora Helena Freire, com capa do professor Evandro Carlos Martins e que traz, entre outras, a música “Abolição”, composta pelos alunos Eduardo Dreyfuss e Paulo Ferreira.

As atividades extra-classe (mas não extra-curriculares): ajudar no serviço do refeitório; preparar um almoço, na casa de ED, e convidar um ou dois professores para a refeição (não sei se os elogios que ouvíamos eram por delicadeza, ou se nossa comida era saborosa, realmente); servir na Cantina, na venda de doces, lanches e refrigerantes; vender material escolar na Cooperativa; dar atendimento no Banco, para depósitos e saques. Isso representava abrir mão do lazer nos intervalos de recreio (um no meio da manhã, outro na hora do almoço, outro no meio da tarde), mas era um grande prazer para mim e para os colegas também.

Os projetos: cada aluno escolhia uma Área para, durante o ano, desenvolver um projeto. Um deles, meu preferido até hoje, foi um jornal na Área de Português. Ele era datilografado, mimeografado, montado e distribuído pela própria equipe do projeto. Na busca por um nome para o jornal, encasquetei que ele teria de conter as letras GV, em referência ao nome e emblema da escola. Acabei encontrando uma palavra que não só as continha, mas que representava algo em que informações – assim como qualquer outra coisa – podem ser guardadas e acessadas. E que, além disso, fazia um trocadilho com um nome que designa jornal. Propus para a equipe e o nome “pegou”: nosso jornal se chamava “GaVeta”. Depois, na Escola de Engenharia, trabalhei por quatro anos na equipe do jornal do Centro Acadêmico. Alguns anos mais tarde essa mesma equipe se reuniu para fazer, por quase dois anos, o jornal da seção brasileira da Anistia Internacional. Ao trabalhar em uma grande indústria, fui o responsável por toda a elaboração do boletim informativo da minha área. Com certeza teria me dado bem na carreira de Jornalista, se não tivesse optado pela Engenharia?

Os pais: sua presença e participação eram constantes, o que tornava a escola uma real extensão de nossas casas. Eles cantavam no coral PROPAF – Professores, Pais e Funcionários – (que depois tornou-se independente da Escola, com o nome de Cantum Nobile), participavam dos cursos de Matemática Moderna (ministrados pela Profa. Renate Watanabe, mãe de aluno) e da Associação de Pais (na organização de eventos e na discussão de temas relevantes à nossa educação), visitavam nossas exposições de trabalhos semestrais de síntese, e contribuíam, com seus talentos e possibilidades, para o constante aprimoramento da Escola.

Os estudos do meio: eram intensas as atividades de preparação antes, a própria realização e a posterior elaboração dos trabalhos de síntese. Os roteiros eram minuciosamente elaborados e, na medida do possível, seguidos por todos. É claro que o caos imediatamente se instala quando 40 adolescentes entram num ônibus, mas é impressionante como, mesmo no meio da bagunça toda que fazíamos, prestávamos atenção no relevo, no clima, na vegetação, nos tipos de habitações e atividades produtivas durante o trajeto para o nosso destino. Meus filhos aprenderam a fazer essas observações, desde pequenos, durante nossas viagens de lazer.
Lembro-me de muitas das visitas que fizemos: uma biblioteca pública e um posto de puericultura no bairro de Santo Amaro, vizinho à escola; a Academia Paulista de Letras (fomos de bonde até o centro da cidade); a cidade de Americana com suas indústrias têxteis; a fábrica de tornos Romi, em Santa Bárbara d’Oeste; as cidades de Registro e Cananéia, no Vale do Ribeira, com suas plantações de chá; a igreja da Pampulha e o Mineirão, em Belo Horizonte e a siderúrgica Mannesmann em Contagem; as cidades históricas de Ouro Preto e Congonhas; Brasília, então uma cidade com apenas 7 anos de existência. Enquanto visitei esses locais, alguns colegas visitaram outros (Barretos, Batatais, Rio Claro, Curitiba, Vila Velha, Paranaguá, Itanhaém) e, na apresentação das sínteses, as informações e conhecimentos eram transferidos e compartilhados.

Fiz o colégio também no Oswaldo Aranha (após a extinção do Sistema Vocacional, mas ainda com as mesmas pessoas) e, confirmando minha tendência de “prático-teórico”, escolhi ser engenheiro. Entrei na Escola de Engenharia Mackenzie (sim, naqueles mesmos prédios de tijolinhos vermelhos…). Ao fim do primeiro semestre, já acostumado ao ritmo do curso universitário, comecei a procurar formas de compensar a aridez das aulas meramente expositivas e do ambiente tão impessoal, numa tentativa de tornar mais agradável minha permanência na escola nos períodos entre aulas. Foi assim que tive, nos anos seguintes uma atividade intensa no Centro Acadêmico, não só na equipe do jornal, mas também na organização e realização de diversos eventos (palestras, seminários, participação em feiras). E, no meio do terceiro ano, comecei a dar aulas em escolas técnicas, atividade que descobri ser muito prazerosa ao ver meus alunos demonstrando terem aprendido os conhecimentos transmitidos.

Como engenheiro trabalhei primeiro num escritório técnico, com projetos e fiscalização de obras. Depois fui trabalhar em indústrias, nas quais comecei a desenvolver um trabalho muito mais comercial e administrativo do que técnico. E enquanto o técnico trabalha com desenhos, cálculos e materiais, o comercial-administrativo tem, acima de tudo, contato com pessoas. E é isso o que descobri que mais gosto de fazer. Na atividade de Gestão de Contratos, que desenvolvi desde 1985, pude aliar meu conhecimento técnico – adquirido na universidade – às minhas habilidades organizacionais e de relacionamento pessoal – desenvolvidas e aperfeiçoadas em casa e no GV –. Como parte de uma hierarquia empresarial, reconheço a importância daqueles trabalhos em equipe, ao ter de atuar ora como líder, ora como liderado. Como responsável por todo um projeto, sou valorizado pela polivalência e pelo ecletismo, por conhecer de tudo um pouco ou, no mínimo, saber buscar o conhecimento onde ou com quem ele esteja.

Fazendo um balanço do que aprendi no Vocacional e que é importante para a minha vida pessoal e profissional: aprendi a pensar e a me comunicar de forma escrita e falada; a respeitar e valorizar as pessoas pelo seu valor próprio (e não pela posição que ocupam); a reconhecer meu próprio valor, minhas capacidades e limitações; a buscar a superação das minhas limitações; a fazer análises e sínteses; a liderar e ser liderado; a identificar os objetivos, planejar as ações, organizar os recursos e perseguir os resultados; a ser eclético, a executar várias tarefas simultaneamente (‘multi-task’), a “jogar em várias posições”; a buscar novos conhecimentos, aprofundar os antigos e compartilhar todos eles; a manter limpo o que encontrei limpo e a cuidar do bem coletivo; a respeitar as regras e a agir com justiça e lealdade; a reivindicar e preservar meus direitos e assumir minhas responsabilidades.

Casei-me com uma ex-aluna do GV (Wanda Maria Gomes Godoy) em 1983. Ela morava a 50 metros da escola. Formou-se em Psicologia mas trabalha com Fotografia desde 1990. Apesar de nos conhecermos e nos relacionarmos desde os primeiros tempos de ginásio e de coral, foi só depois da faculdade que começamos o namoro. Temos um casal de filhos, nascidos em 1985 e 1987, que cursaram o primeiro e o segundo graus numa escola particular que consumia uma parcela significativa de nossos rendimentos, mas que tem uma proposta pedagógica que nos lembra muito a do GV, e que nos deixou muito contentes com a formação que eles lá receberam. Ambos se formaram na faculdade (uma Nutricionista em 2008 e um Jornalista em 2009) e vêm galgando bem os primeiros degraus de suas carreiras profissionais.

Faltou apenas comentar sobre a recepção aos calouros: deveria ter falado dela no início, por uma questão de coerência, mas deixei para agora. Era uma grande reunião, no pátio, com todos os professores, funcionários e alunos veteranos dando as boas vindas aos novos alunos. Havia discursos, o canto do Hino do GV e, o mais marcante de tudo, uma solenidade na qual uma plaqueta de metal, gravada com o ano vigente, era pregada – por um veterano – numa base de madeira. Nela havia também o emblema da escola e uma espiral, em forma de cone invertido. Essa espiral representava os ideais de progressão, evolução, crescimento, continuidade, com que todos sonhávamos para o sistema Vocacional. Wanda e eu, como muitos, ainda sonhamos…

Paulo Ricardo Simon
Eletricista com 25 anos de experiência na área de Gestão de Contratos, em empresas do setor Eletro-Eletrônico e de Tecnologia de Informação (TI); ex-professor da Escola Técnica Federal e do Liceu de Artes e Ofícios, ambos de São Paulo.

Obs: Este depoimento faz parte do livro Ensino Vocacional Uma Pedagogia Atual.
Agradecemos ao Colega Paulo Simon, sua publicação aqui, sem fins lucrativos.

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