Dez Anos sem uma Escola Inovadora (IstoÉ)
Pedro Paulo Manus
Ministro TST - Turma de 62 – GEVOA

 

Fragmentos – Dez anos sem uma escola inovadora
Pedro Paulo Manus

Artigo da Revista IstoÉ – 29/12/1979

 

O Vocacional

“Como o currículo fugia às regras, muitas vezes os alunos tinham dúvidas sobre a espécie de formação que estavam recebendo. “Principalmente a partir da terceira série começavam a surgir muitas dúvidas entre nós”, conta Pedro Paulo Manus, assistente de juiz do Tribunal do Trabalho, diretor da Associação de Professores da PUC, aluno da primeira turma do colégio vocacional. “Quando meus irmãos que estudavam em outras escolas perguntavam quantos ossos tem o dedo mínimo, eu me sentia inseguro. Eu não havia aprendido isso e me perguntava se conseguiria sair bem no colegial, que teria que ser feito em outra escola.”

Também se envolveu numa verdadeira “revolução juvenil” na escola em que fez o ginásio. Era uma experiência, o Serviço de Ensino Vocacional, criada por professores como Joel Martins, Maria Nilde Mascelani e Maria da Glória Pimentel (os três também foram docentes da PUC-SP), em que todas as matérias giravam em torno de estudos sociais, com base em trabalhos de grupo e escolhas dos alunos. “Estávamos em 64 quando os militares acusaram a escola de ser um ‘antro de subversão’ e proibiram-na de funcionar. Mas nós, da 4ª série, nos mobilizamos e não deixamos o colégio parar. Demos aula para os alunos de outras séries e enviamos cartas aos pais pedindo para que eles mandassem os filhos para a escola. Ficamos assim por 15 dias, e isso deu força para a direção convencer as autoridades de que tinha que voltar a funcionar. E conseguimos”, relata Pedro Paulo Manus.

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