Revolvendo a Memória
Cláudia Alencar
Ex-aluna turma de 1962 – GEVOA e Profª

 

Revolvendo a Memória
Cláudia Alencar

Fui da primeira turma do Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha (Brooklin -Capital),1962. Sai em 1965 após a formatura. Naquele ainda não havia sido criado o CEVOA 2º. (1968). Voltei mais tarde, já como Professora formada em Artes Cênicas e atuei de 1971 até 1975, quando o então Diretor Arthur excluiu minha disciplina do curriculum, pois me disse que os alunos gostavam muito de teatro e tirava atenção deles das outras matérias!

*Na época não havia um método para o ensino de teatro. Me formei como Bacharel licenciada em Teatro na ECA/USP e criei um método que aperfeiçoei no Vocacional, desde a quinta série até o ultimo ano do fundamental.

OPERAÇÃO BANDEIRANTES,

(NUMA TARDE DE 1973, A “OBAN” FOI ATÉ LÁ (no Oswaldo Aranha)) COM SEU CAMBURÃO. MANDARAM ME CHAMAR. EU SAI DE UMA REUNIÃO DE PROFESSORES. ELES “PEDIRAM” PARA EU ACOMPANHÁ-LOS E FUI LEVADA PRESA ENCAPUÇADA. APARENTEMENTE NINGUEM VIU NA HORA.

PRISÃO NA OBAN

FUI PRESA E TORTURADA, AOS 22 ANOS, DURANTE 15 DIAS, QUANDO MEUS PARENTES ME ACHARAM… MEU TIO GENERAL ME TIROU DE LÁ.

EU FAZIA PARTE DA “ALN”, ALIANÇA LIBERTADORA NACIONAL”, MAS SÓ FAZIA TEATRO DE GUERRILHA, ERA CONTRA VIOLÊNCIA COMO ASSALTAR BANCOS, ETC..,  MAS PRECISAVA LUTAR A FAVOR DE UM BRASIL MELHOR.

“OPERAÇÃO BANDEIRANTES – OBAN, ERA AONDE ELES TORTURAVAM.

NO DOPS ELES SÓ PRENDIAM, DEIXAVAM PRESOS…

VOLTEI AO VOCACIONAL, PARA DAR AULA NORMALMENTE. ALGUNS ALUNOS SOUBERAM… DERAM UM APOIO AFETUOSO, MAS NÃO ME LEMBRO SE OS PROFESSORES FICARAM SABENDO, POIS NÃO HOUVE APOIO DA PARTE DELES.

Fazíamos teatro, no ensino fundamental, numa praça em Santo Amaro, junto com o povo, depois fomos até a FAU interagir com os universitários. Meu projeto era fazer num Shopping… O Iguatemi não deixou.

O projeto era fazer teatro de rua para o povo, intelectuais e burguesia.

Naquela época ninguém fazia teatro nas ruas, nem nas universidades.

Uma peça pronta que interagia com os transeuntes, performance em1973!

Não fiz teatro no palco da escola – careta, tradicional.

Saímos à rua!  Com os alunos era feito uma integração entre as matérias (inter-disciplinas). O que História ensinava (em classe) eu transformava  em teatro, o que Geografia ensinava  eu aproveitava como tema de improvisações, mas eram os alunos que escreviam suas próprias peças e faziam suas roupas, mascaras e maquiagem.

Grupos e improvisação

Eu criei um método, porque me licenciei em Teatro pela USP e na época ninguém dava aula de teatro, era preciso inventar.

Expulsão

Depois que Arturzinho me expulsou da Escola, fui fazer fotos com minha vizinha, escrevi meu currículo universitário e entreguei na mão do Antunes Filho na TV Cultura que fazia teleteatro. Ele aceitou na hora me dando a protagonista para atuar . Era a peça de Domingos de Oliveira “Somos todos do Jardim da Infância”.

Sonho

Eu sempre quis ser atriz, mas tinha medo de não conseguir sobreviver da profissão. Me licenciei em Teatro, mas depois voei pelos palcos. Segui meu sonho. Fui muito mais feliz, embora a pedra que subo a montanha seja mais pesada, mas a vista é bem mais gratificante quando chego ao topo…

 

 

Cláudia Alencar

Ex-aluna turma de 1962 – GEVOA e Profª

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